RESTRIÇÕES RECOMENDÁVEIS A PILOTOS COM MENOS DE 1 ANO DE VÔO.

Quanto da minha capacidade eu posso usar?

Nesses 36 anos envolvido com vôo, em aviões, ultraleves, planadores e parapentes a arte de sobreviver me ensinou que deveria usar, em situações normais, apenas 50% da capacidade total, o que já poderia ser, em vários momentos, os meus 100%. Nunca soube onde estava o meu 100%.

Percebi também que muitas vezes tive que usar 30% a mais, ou seja, 80%, em situações anormais e 100% quando estive em emergências. Como sobrevivi, descobri que para aumentar o nível para os 100%, somei naturalmente 30% sobre os 50% intencionais, nas situações anormais e mais 20% pela margem de aprendizado adquirido pela observação e análise dos erros dos outros. E, detalhe, isso tudo só foi conseguido porque estive envolvido em experiências praticando uma mesma atividade.

Voar não é só uma brincadeira! Voar também é perigoso!

Só sobrevive no vôo quem entende que os limites não são para serem provados até serem transformados em emergência, sem um tempo de preparação, muita observação e estudo.

No voo, usar 50% do que se sabe é mais sábio do que provar de forma drástica o que não se sabe.

Luciano Miranda.


    Com o único propósito de zelar pela segurança dos menos experientes listamos abaixo algumas restrições que devem ser observadas pelos pilotos que ainda estão sendo supervisionados.

    É totalmente irresponsável a decisão de rumar para o lado a sotavento da montanha com experiência de menos de 1 ano de vôo ou menos de 100 vôos. Nenhum aluno ou piloto dessa escola, que ainda esteja recebendo orientação e acompanhamento, será incentivado a realizar, intencionalmente, vôos atrás das montanhas (sotavento), isto é, do lado contrário ao da entrada do vento, antes de adquirir experiência e capacidade de análisar uma condição forte, vento e/ou térmicas fortes. Muitas vezes é necessário se usar muita experiência adquirida em análise de condição de vôo para se ter a capacidade de perceber quando se pode ou quando é totalmente impróprio o voo a sotavento de uma montanha que não esteja a mais de 10 vezes a altura da montanha à frente (Ex.: Morro do Cavalão).

    É necessário ter conhecimento da intensidade do vento e da distância até onde se apresentam turbulências que possam exigir experiência de recuperação de situações de emergências acima do nível do piloto, não tendo esse ainda passado ou treinado manobras ou situações em Simulações de Incidentes de Voo (SIV), sobre a água e em codições meteorológicas apropriadas. Destacam-se dentre essas situações de alto risco a possibilidade de colapso frontal à baixa altura, espiral negativa à baixa altura , estol profundo à baixa altura (normalmente em turbulências com uso exagerado de freios ou curvas apertadas em témicas), full estol a baixa altura e, principalmente a cascata de incidentes, quando o parapente passa por várias manobras sem controle do piloto como espiral estabilizada, SAT, tumbling não intencionais.

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    Fato real: No mês de janeiro de 2010, presenciamos um caso que poderia ter sido fatal: um incidente de colapso e giro não controlado sobre as linhas de transmissão de altíssima voltagem, no Morro do Cavalão, quando um piloto perdeu o controle do seu parapente, entrou em giro sobre a rede elétrica sendo desviado da colisão devido à deriva causada pelo vento que se intensificava a cada minuto (na rampa já passava dos 40 Km/h). Enquanto totalmente descontrolado o piloto lançou o reserva e aterrou atrás do morro do Cavalão, nada sofrendo.

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    Resumindo:

  1. É inadmissível um piloto que ainda não tenha realizado o estágio SIV venha a tentar a realização de vôos acrobáticos ou atrás do relevo (sotavento).

  2. Um piloto necessita de supervisão e acompanhamento durante, pelo menos, o seu primeiro ano de vôo.

  3. É totalmente inadequado, irresponsável e perigoso voar para trás do relevo sem a experiência de vôo capaz de identificar as diversas situações de risco que podem se apresentar. Normalmente essa experiência só é conseguida a partir do terceiro ano de vôo.

  4. Nenhum piloto deve tentar realizar acrobacias com menos de 10 anos de vôo. Entenda-se acrobacias como SAT, looping, tumbling, mctwist.

  5. São manobras obrigatórias e de pleno conhecimento e tranqüilidade na execução, antes de se tentar qualquer das acrobacias citadas, o estol, o full estol, curvas negativas, espirais simétricas e assimétricas e o piloto já deverá ter lançado o pára-quedas reserva pelo menos duas vezes. Todas as manobras e acrobacias devem ser tentadas sobre a água e sobre a supervisão de um piloto com experiências nas manobras a serem realizadas do lado barlavento da montanha ou em ambiente onde o vento esteja laminar.

    Luciano Miranda